Raiva em Cães
A raiva é uma das infeções virais mais conhecidas e mais graves que um cão pode contrair. A doença ataca o sistema nervoso e, assim que surgem os primeiros sintomas claros, é quase sempre fatal. Ao mesmo tempo, a raiva tornou-se rara nos Países Baixos graças à vacinação obrigatória para viagens e a regras de importação rigorosas. Nesta página ficas a saber o que é a raiva, que cães correm maior risco, como reconhecer os sinais e por que motivo a prevenção é aqui mais importante do que em quase qualquer outra doença canina.
Importante saber antes de mais
Importante saber antes de mais: a Fidello não é veterinária. Esta página destina-se a informar-te e não te ajuda a fazer um diagnóstico. Tens dúvidas sobre a saúde do teu cão, ou reconheces os sinais descritos abaixo? Contacta então sempre um veterinário. Suspeitas que o teu cão possa ter estado em contacto com a raiva — por exemplo, através de uma mordidela de um animal desconhecido ou selvagem — ou o teu cão apresenta os sinais descritos abaixo? Dirige-te então imediatamente a um veterinário ou a uma clínica veterinária: trata-se de uma situação de emergência que não admite demora.
O que é a raiva?
A raiva é causada pelo vírus da raiva, um lissavírus transmitido através da saliva, geralmente por uma mordidela de um animal infetado. A partir do local da infeção, o vírus percorre as vias nervosas até ao cérebro. Este percurso pode, consoante o local da mordidela e a quantidade de vírus, demorar de dias a meses, o que explica por que motivo os primeiros sinais surgem por vezes muito tempo depois do incidente. Assim que o vírus atinge o cérebro, surgem os sintomas neurológicos característicos, e a evolução da doença passa então a ser quase sempre muito rápida e irreversível.
Que cães correm risco?
A raiva não está associada à raça: em teoria, qualquer raça e qualquer idade pode ser infetada (confirmado). O risco real depende quase inteiramente da exposição, e não de uma predisposição hereditária.
- Os cães não vacinados ou insuficientemente vacinados correm o maior risco (confirmado).
- Os cães que viajam para, ou provêm de, uma zona onde a raiva ainda ocorre correm um risco acrescido, sobretudo em casos de importação ilegal ou não controlada de cachorros (confirmado — uma via conhecida através da qual a raiva reentra ocasionalmente em países de outro modo livres da doença).
- Os cães com acesso livre a animais selvagens, como raposas ou morcegos, em zonas onde estes animais podem ser portadores, correm um risco acrescido (indicativo relativamente aos morcegos na Europa Ocidental, onde é ocasionalmente detetado um lissavírus aparentado).
Sintomas da raiva
Os sinais da raiva desenvolvem-se normalmente por fases e podem variar de cão para cão.
Sinais precóces (fase prodrómica), muitas vezes subtis e fáceis de não notar:
- alteração de comportamento: um cão normalmente calmo torna-se inquieto ou receoso, ou um cão vivo torna-se, pelo contrário, calado e retraído;
- febre ligeira ou mal-estar geral;
- reação alterada ao toque no local de uma mordidela anterior, por exemplo, sensibilidade aumentada ou, pelo contrário, diminuída.
Sinais que exigem ação urgente (fase mais avançada):
- alteração de comportamento marcada: agressividade invulgar, ou, pelo contrário, sinais de paralisia;
- salivação excessiva ou dificuldade em engolir;
- latido alterado, por exemplo, mais rouco ou com som diferente;
- fotofobia ou sensibilidade aumentada ao som e ao toque;
- perda de coordenação, paralisia (muitas vezes a começar pelas patas traseiras) ou convulsões.
Se o teu cão apresentar algum destes sinais mais avançados, ou se souberes ou suspeitares que esteve em contacto com um animal possivelmente infetado, é necessária uma visita veterinária imediata — consulta o aviso de emergência acima.
Quando deves ir imediatamente ao veterinário?
Contacta imediatamente um veterinário ou uma clínica veterinária quando:
- o teu cão tiver sido mordido por um animal desconhecido, selvagem ou possivelmente infetado, mesmo que não haja ferida visível;
- o teu cão apresentar algum dos sinais mais avançados acima referidos;
- o teu cão tiver estado recentemente numa zona onde a raiva ocorre e apresentar agora comportamento invulgar;
- tu próprio ou um familiar tiverem estado em contacto com a saliva do teu cão numa altura em que existe suspeita de raiva — contacta então também imediatamente um médico ou a autoridade de saúde pública, além do veterinário.
Não esperes, em nenhuma destas situações, para ver se os sinais 'passam sozinhos'. A raiva é uma das poucas doenças caninas em que agir depressa pode realmente fazer a diferença.
Como se diagnostica a raiva?
Diagnosticar a raiva num cão vivo é difícil: não existe nenhum teste simples que dê certeza absoluta em vida. Um veterinário avalia o historial — possível exposição, estado vacinal, historial de viagens — em conjunto com os sintomas visíveis. Perante uma suspeita concreta, segue-se geralmente, em articulação com as autoridades de saúde pública competentes, um período de isolamento e observação. A confirmação laboratorial completa só é possível através de exame especializado de tecido cerebral, que só pode ser realizado post-mortem.
Tratamento em linhas gerais
Não existe tratamento que possa curar a raiva depois de os sintomas clínicos terem começado. Os cuidados nesta fase centram-se sobretudo em proteger o próprio cão, os outros animais e as pessoas, em estreita articulação entre o veterinário e as autoridades competentes — a abordagem exata é determinada por eles, caso a caso e consoante o país, e não por esta página. Precisamente porque há poucas ou nenhumas opções de tratamento depois de os sintomas surgirem, a ênfase, no caso da raiva, recai inteiramente na prevenção antes da exposição.
O que podes fazer tu próprio
Tu próprio podes contribuir sobretudo para a prevenção e para uma resposta rápida e correta perante um possível incidente:
- mantém as vacinas do teu cão em dia, em articulação com o teu veterinário, especialmente antes de uma viagem ao estrangeiro;
- garante um passaporte europeu para animais de companhia válido e cumpre as regras de importação e viagem tanto do país de destino como dos Países Baixos;
- evita o contacto entre o teu cão e animais selvagens, sobretudo em zonas onde ocorre a raiva ou um vírus aparentado;
- nunca compres um cachorro através de importação pouco clara, ilegal ou não controlada — esta é uma via conhecida através da qual a raiva pode ocasionalmente reentrar num país de outro modo livre da doença;
- numa mordidela, lava primeiro bem a ferida com água e sabão e procura depois tanto ajuda veterinária como, se uma pessoa tiver sido mordida, ajuda médica.
Estas são medidas de apoio e práticas — não substituem os cuidados veterinários ou médicos.
Prevenção: vacinação e viagens responsáveis
A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a raiva e, na prática, é também obrigatória quando viajas com o teu cão para muitos países fora dos Países Baixos. Fala com o teu veterinário sobre o esquema de vacinação e os prazos de viagem aplicáveis. Os Países Baixos detêm há décadas o estatuto oficial de país 'livre de raiva em animais terrestres', mas este estatuto continua dependente de uma vacinação sistemática nas viagens e do combate à importação ilegal de cães.
Perguntas frequentes
A raiva ainda ocorre nos Países Baixos?
A raiva clássica em animais terrestres já não ocorre nos Países Baixos há muito tempo; o risco está quase exclusivamente associado a viagens ao estrangeiro ou à importação ilegal de cães (confirmado).
Um cão vacinado ainda pode contrair raiva?
A vacinação protege de forma muito eficaz, mas não oferece uma garantia absoluta em todas as situações imagináveis. Após uma mordidela, mantém-se necessária a consulta a um veterinário, mesmo num cão vacinado.
A raiva é perigosa para as pessoas?
Sim, a raiva é uma zoonose: o vírus também pode ser transmitido às pessoas através da saliva, por exemplo, numa mordidela ou arranhadela. Em caso de dúvida, procura sempre tanto ajuda veterinária como médica.
A raiva é sempre fatal?
Assim que surgem os sintomas clínicos, a evolução é quase sempre fatal. É precisamente por isso que a prevenção através da vacinação pesa aqui tanto.
Em conclusão
A raiva é rara nos Países Baixos, mas precisamente porque a doença, depois do aparecimento dos sintomas, tem quase sempre um desfecho fatal e pode ser transmitida às pessoas, o tema merece atenção séria — sobretudo em torno das viagens, da importação e da vacinação. Conhecer os sinais e agir depressa perante uma suspeita contribui diretamente para a segurança do teu cão e de quem te rodeia.
Por fim
Por fim: este artigo não substitui uma visita ao veterinário. A Fidello não faz diagnósticos nem prescreve tratamentos. Em caso de dúvida, de queixas persistentes ou de sinais agudos, um veterinário é sempre o próximo passo certo.