Periquito-australiano - o alegre australiano com muito mais para contar do que parece

Periquito-australiano - o alegre australiano com muito mais para contar do que parece

O periquito-australiano é a ave mais mantida como animal de estimação em todo o mundo, e não é por acaso: é uma avezinha vivaz, curiosa e relativamente fácil de cuidar, que na natureza percorre o interior australiano em bandos enormes e barulhentos. Essa origem gregária é precisamente o cerne daquilo que um periquito-australiano precisa: companhia, som e ocupação constante. Por si só, o periquito-australiano é pequeno e compacto, mas quem espera uma avezinha silenciosa e discreta, uma espécie de "ave de iniciação" sem surpresas, engana-se redondamente – este periquito chilreia, canta e tagarela muitas vezes o dia inteiro, e, com boa socialização, pode até aprender a dizer algumas palavras. Os periquitos-australianos são excelentes para amantes de aves principiantes, desde que sejam mantidos de preferência com pelo menos um congénere e sejam encarados não como uma prenda pontual, mas como uma responsabilidade que dura anos.

Especificações principais

  • Nome científico: Melopsittacus undulatus
  • Família: Psittaculidae (periquitos australianos de cauda longa)
  • Origem: interior da Austrália
  • Comprimento: cerca de 16–20 cm
  • Peso: cerca de 30–40 gramas
  • Esperança de vida: em média 5–8 anos; com cuidados muito bons, um periquito-australiano pode viver 10 anos e, em casos raros, ultrapassar os 15 anos
  • Nível de ruído: indicativamente baixo a médio – chilreio suave e constante, raramente gritos verdadeiramente altos
  • Necessidade social: ave gregária, deve de preferência ser mantida com pelo menos um congénere
  • Capacidade de imitar fala/sons: sim, sobretudo os machos podem aprender palavras e frases curtas, com uma voz suave e tagarela
  • Estatuto CITES: sem listagem CITES – ver a secção legal abaixo
  • Nível de experiência recomendado: principiante
  • Adequação a uma habitação ou apartamento português médio: boa, desde que se conte com um ruído diário e constante

Quadro legal

O periquito-australiano não consta em nenhum anexo CITES. A espécie é criada em cativeiro em todo o mundo há muitas gerações, não está ameaçada e, por isso, fica fora da regulamentação comercial CITES. Isto significa que, na compra ou venda, não é exigido nenhum certificado CITES nem comprovativo de origem.

Na Holanda e na Bélgica não existe obrigação legal de anilhamento na pata ou de microchip para periquitos-australianos. Muitos criadores optam, ainda assim, por anilhar voluntariamente as aves jovens com uma anilha aberta ou fechada, sobretudo para efeitos de registo genealógico e para poder identificar o ano de nascimento e o criador – trata-se, no entanto, de uma prática comum dentro do hobby, e não de uma obrigação legal. Para esta espécie não existe, na Holanda nem na Bélgica, obrigação de notificação, de licença ou proibição de detenção; o periquito-australiano pode ser livremente adquirido e mantido.

Fonte: base de dados de espécies CITES (lista de verificação dos anexos protegidos) e a informação sobre a detenção de aves publicada pelo Serviço Neerlandês para a Empresa (Rijksdienst voor Ondernemend Nederland, RVO), verificadas em 19 de setembro de 2026. A legislação pode diferir de país para país e está sujeita a alterações: a informação neerlandesa e belga sobre CITES/RVO serve de base a este artigo, pelo que se aconselha vivamente o leitor a verificar sempre, antes de adquirir um periquito-australiano, o estatuto legal atualizado em Portugal junto da autoridade nacional competente (por exemplo, o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas).

Teste de adequação

Pode ser adequado se:

  • não se importar que haja, o dia inteiro, um som suave de chilreio em fundo;
  • estiver disposto a manter pelo menos dois periquitos-australianos, ou a oferecer a uma única ave companhia intensiva todos os dias;
  • puder oferecer um local fixo, sem correntes de ar, numa divisão social da casa;
  • for novo na criação de aves e procurar uma primeira espécie acessível e económica;
  • estiver disposto a cuidar da ave pelos próximos 5 a possivelmente 15 anos.

Provavelmente não é adequado se:

  • quiser silêncio total em casa, mesmo durante o dia;
  • procurar uma ave que possa ficar sozinha, sem companhia nem interação, durante a maior parte do dia;
  • não tiver intenção de investir tempo de forma estrutural, mesmo que um periquito-australiano pareça "fácil".

Nome e classificação

Em português, a designação corrente é periquito-australiano; internacionalmente, a espécie também é conhecida como "budgerigar" ou, em forma abreviada, "budgie". O nome científico Melopsittacus undulatus remete para o padrão ondulado (undulatus) da plumagem. "Budgerigar" terá origem numa língua aborígene australiana e significará algo como "boa comida" – uma referência ao modo como a espécie era vista pelos povos originários, e não ao seu estatuto atual como ave de companhia. Não existe nenhuma subespécie reconhecida com relevância comercial; existem, sim, centenas de mutações de cor correntemente criadas (entre outras, azul, branco, amarelo, cinzento, malhado/pied e opalina), que não constituem uma espécie à parte mas que são comercializadas separadamente por diversas razões. Não confunda o periquito-australiano com a calopsita, uma espécie maior e de constituição diferente, com a sua própria página Fidello separada.

Origem e distribuição na natureza

Os periquitos-australianos são originários do interior seco e semidesértico de praticamente todo o continente australiano. Na natureza, são aves gregárias e nómadas: deslocam-se em grupos, por vezes com milhares de aves, na direção da chuva e da consequente disponibilidade de sementes, e reproduzem-se de forma oportunista sempre que há alimento suficiente. Este modo de vida nómada e imprevisível explica por que razão os periquitos-australianos em cativeiro se mantêm tão alerta e reativos a mudanças no ambiente, e por que o comportamento de grupo e o contacto social constante estão tão profundamente enraizados no seu comportamento. Na natureza, a espécie não está ameaçada e é classificada pelas organizações internacionais de conservação como "pouco preocupante"; as populações selvagens são numerosas e estáveis. Os periquitos-australianos são criados na Europa desde meados do século XIX, depois de terem sido importados da Austrália, e desde então tornaram-se a ave de gaiola mais mantida em todo o mundo.

Aparência e distinção de sexo

Um periquito-australiano adulto tem um corpo esguio, uma cauda comprida e pontiaguda e uma plumagem com um padrão ondulado na cabeça, no pescoço e nas costas – daí o nome científico. A coloração selvagem é verde-erva com amarelo na cabeça e ondulações preto-amarelas, mas, após décadas de seleção, existem hoje inúmeras mutações de cor, do azul-celeste e branco ao cinzento e malhado. Os periquitos-australianos não são monomórficos nem totalmente dimórficos: a característica externa mais fiável é a cor da cera (a zona de pele acima do bico). Nos machos adultos, esta é geralmente azul vivo a azul-arroxeado; nas fêmeas adultas, costuma ser castanha a bege-esbranquiçada, sobretudo evidente durante a condição de reprodução. Em aves jovens, esta distinção ainda não é fiável; as crias de periquito-australiano reconhecem-se ainda por terem os olhos completamente escuros, sem o anel claro da íris que as aves adultas desenvolvem após a primeira muda (por volta dos três a quatro meses), e por ondulações que se prolongam até muito perto da cera. Em caso de dúvida quanto ao sexo, por exemplo em certas mutações de cor claras em que a cor da cera é menos evidente, um teste de ADN dá a resposta definitiva.

Carácter e comportamento

Os periquitos-australianos são aves curiosas, ativas e, de um modo geral, alegres, que, quando bem socializadas, se sentem rapidamente à vontade junto das pessoas. Por natureza, não são aves que mordam com facilidade e são, em geral, menos agressivas do que os papagaios de maior porte, embora um periquito-australiano que se sinta ameaçado seja perfeitamente capaz de dar uma bicada dolorosa. Dentro de um grupo observa-se claramente comportamento social: chilreio mútuo, dormir juntos num poleiro, alisar as penas uns aos outros (allopreening) e uma hierarquia clara que, regra geral, se estabelece de forma tranquila e sem grande escalada. Uma vez ganha a confiança, muitos periquitos-australianos gostam de subir a um dedo ou a um ombro e deixam-se acariciar na cabeça, embora isto dependa muito de quão cedo e de forma consistente a ave foi habituada ao contacto humano. Um periquito-australiano adquirido já adulto e não domesticado, por exemplo proveniente de um grupo de aviário, pode mostrar-se inicialmente assustadiço e vigilante – isso é comportamento normal, não mau feitio. A personalidade individual varia muito: há periquitos-australianos que são autênticos tagarelas atrevidos, sempre a pedir atenção, e outros que preferem manter-se tranquilos em segundo plano dentro do grupo.

Som e capacidade de fala

Conte com uma ave que chilreia, murmura e canta suavemente o dia inteiro, com picos evidentes ao acordar e pouco antes de dormir. Para o periquito-australiano, isto não é uma exceção pontual, mas sim o nível de som normal e diário de uma ave social e gregária, e esse som não pára assim que sai da divisão. Comparado com papagaios de maior porte, este volume é, no entanto, limitado: um periquito-australiano raramente grita de forma verdadeiramente alta, e a maioria das pessoas considera o som antes um ruído de fundo agradável do que um incómodo, mesmo numa casa geminada. Pode, ainda assim, surgir um chamamento gritado e agitado em situações de tédio, ciúme ou quando a ave recebe pouca atenção ou estimulação – nesse caso, é um sinal para rever a ocupação diária e a atenção social, e não algo a corrigir. A capacidade de imitar a fala é real nos periquitos-australianos e está relativamente bem documentada: sobretudo os machos conseguem, com repetição paciente, aprender a repetir dezenas de palavras e frases curtas, com uma voz característica, suave e tagarela. Isto nunca é uma garantia – nem todos os periquitos-australianos chegam a falar, e as fêmeas fazem-no comprovadamente com menos frequência do que os machos.

Necessidade social

Os periquitos-australianos são, por excelência, aves gregárias. Na natureza, nunca vivem sozinhos, e essa tendência não desaparece só porque a ave passa a estar numa gaiola na sala de estar. É possível manter um único periquito-australiano de forma responsável em termos de bem-estar, desde que o dono ofereça diariamente várias horas de contacto ativo e de qualidade – conversar, estar junto fora da gaiola, treino, atenção partilhada –, mas, na prática, isto é difícil de sustentar para a maioria dos agregados com uma rotina de trabalho normal. O conselho amplamente partilhado na literatura aviária e pelas associações de criadores é, por isso: manter os periquitos-australianos de preferência em grupos de pelo menos dois, para que as aves tenham contacto social também quando o dono não está presente. Dois periquitos-australianos do mesmo sexo formam habitualmente um casal amigável sem as preocupações associadas ao comportamento reprodutivo; um macho e uma fêmea juntos podem começar a reproduzir-se, o que exige uma escolha consciente. Um contacto social insuficiente num periquito-australiano mantido sozinho pode manifestar-se em gritos excessivos, arrancar penas ou, pelo contrário, em comportamento apático – sinais que devem ser levados a sério, e não descartados como mau comportamento.

Convivência com crianças e outros animais de estimação

Na prática, os periquitos-australianos são muitas vezes adquiridos precisamente porque uma criança deseja, de todo o coração, ter uma avezinha, e não é sem razão: é uma das poucas espécies de aves que, quando abordada com calma e sob supervisão, pode proporcionar a uma família com crianças uma primeira e agradável experiência com aves. Ainda assim, esta questão merece uma resposta honesta, e não um simples "sim, é bom para crianças". A partir dos 6-8 anos, aproximadamente, uma criança pode, sob supervisão direta de um adulto, ajudar a alimentar a ave, mudar a água e estabelecer um contacto calmo; só por volta dos 12-14 anos é que uma criança consegue assumir, de forma independente e totalmente responsável, os cuidados diários, e mesmo nessa altura a responsabilidade final – água limpa, comida fresca, uma gaiola limpa, uma visita atempada ao veterinário – acaba, na prática, por recair sobre um adulto, mesmo quando a ave é oficialmente "da criança". Os periquitos-australianos têm uma força de mordida relativamente suave em comparação com papagaios maiores, o que limita o risco de ferimentos verdadeiramente dolorosos, mas são, ainda assim, animaizinhos frágeis, com apenas 30 a 40 gramas: pegar neles com demasiado entusiasmo ou falta de jeito pode magoar a ave. Por isso, nunca deixe que um periquito-australiano seja tratado como um brinquedo; em vez disso, construa junto com a criança uma rotina de cuidados fixa e tranquila – isso funciona melhor para a confiança da ave e é também mais educativo para a criança do que um contacto ocasional e sem controlo. Pense também a longo prazo: um periquito-australiano pode viver entre 5 e 15 anos, o que, para uma criança, muitas vezes significa desde o ensino básico até bem dentro do ensino secundário – um vínculo bonito e duradouro, mas não um brinquedo passageiro. Com outras aves em casa, a introdução costuma correr bem após um curto período de quarentena e espaço suficiente; com cães e gatos, mantém-se inteiramente válido que a supervisão é a única medida fiável, mesmo com um cão ou gato de aparência tranquila, uma vez que o instinto de caça nunca pode ser totalmente descartado.

Alojamento

Uma gaiola bem equipada é a diferença entre um periquito-australiano que passa o dia inteiro aborrecido, pousado num único poleiro, e uma ave que se movimenta ativamente pelo seu território, procura alimento e esvoaça. Para um casal de periquitos-australianos, conte com uma gaiola de, no mínimo, cerca de 80 x 40 x 40 cm, mas dê preferência, sempre que possível, a uma voliere mais espaçosa, de cerca de 100 x 50 x 50 cm ou maior – os periquitos-australianos voam, por natureza, sobretudo na horizontal, pelo que a largura e o comprimento pesam mais do que a altura. Escolha uma distância entre as barras de cerca de 10 a 12 milímetros: um espaçamento maior traz, nesta espécie compacta, o risco real de a cabeça ou a pata ficarem presas, enquanto um espaçamento menor é desnecessariamente limitativo.

Coloque a gaiola num local fixo e social da casa, onde a família esteja regularmente presente – uma divisão isolada rapidamente se torna, para uma ave gregária, um isolamento solitário. Ao mesmo tempo, evite correntes de ar (portanto, não mesmo entre uma porta e uma janela, nem junto a uma grelha de ar condicionado ou de ventilação), evite a cozinha devido aos vapores de revestimentos antiaderentes aquecidos, que podem ser perigosos para as aves mesmo em concentrações baixas, e não coloque a gaiola exposta a sol direto e intenso sem uma zona de sombra.

Instale, no mínimo, três a quatro poleiros a alturas diferentes, e varie de forma consciente a espessura e o material: um ramo natural com casca (por exemplo, de salgueiro ou de árvore de fruto) é mais agradável para as solas dos pés e desgasta as unhas de forma gradual, em vez de usar apenas os poleiros de plástico ou madeira, lisos e com espessura uniforme, que vêm normalmente incluídos numa gaiola. Não coloque os comedouros e bebedouros diretamente por baixo de um poleiro alto, para evitar que fiquem constantemente sujos de fezes, e escolha um substrato de fundo fácil de substituir (por exemplo, areia própria para aves ou grânulos de celulose) que possa verificar diariamente quanto a humidade e bolor.

Mesmo a gaiola mais espaçosa não é o único espaço de vida de que um periquito-australiano precisa: ofereça diariamente, numa divisão preparada para receber aves com segurança (janelas fechadas ou com rede, sem outros animais soltos por perto, sem panelas ao lume desprotegidas, sem plantas de interior tóxicas ao alcance), um período de voo livre. Varie regularmente a disposição: suba o cesto de forrageio uns centímetros para que as aves tenham de trepar ou de fazer um pequeno esforço para lá chegar, mude ocasionalmente um poleiro ou um brinquedo de posição, e ofereça alternadamente ramos para roer, sementes escondidas em bolinhas de papel ou um pedacinho novo de verdura fresca. Estas pequenas mudanças recorrentes são exatamente o que mantém vivo o comportamento natural de procura de alimento e de exploração desta espécie, e nota-se: um periquito-australiano bem estimulado está visivelmente mais ativo e ocupado dentro da gaiola do que uma ave com apenas um poleiro fixo e um comedouro de sementes.

Se preferir não reunir todas as peças avulsas por conta própria, o Kit Inicial de Gaiola para Periquitos – Pacote Tudo-em-1 é uma base prática e completa para receber um periquito-australiano. Quem preferir montar a gaiola por si, encontra na coleção Gaiolas e Voliere para Aves, entre outros modelos, a Gaiola para Aves Zolux Neolife, cujo tamanho é adequado para um casal de periquitos-australianos.

Estimulação mental e problemas de comportamento

Na natureza, os periquitos-australianos passam grande parte do dia à procura de sementes e a processá-las – esse comportamento de forrageio não desaparece dentro de uma gaiola, e um simples comedouro sempre completamente cheio priva a ave por completo dessa ocupação natural. Brinquedos de forrageio, comida escondida e material para roer variado não são, por isso, extras lúdicos, mas sim uma necessidade fundamental. Estimulação mental insuficiente e falta de contacto social manifestam-se, nos periquitos-australianos, frequentemente em gritos excessivos e persistentes, em arrancar penas ou em morder/roer repetidamente as barras da gaiola. Trate isto sempre como um sinal de bem-estar que exige investigar a causa – tédio, contacto social insuficiente, falta de espaço, um local inadequado em casa, ou por vezes uma causa médica subjacente – e nunca como "desobediência" a corrigir com castigo. Antes de atribuir o arrancar de penas persistente apenas a comportamento, faça sempre avaliar a ave por um veterinário com experiência em aves.

Treino e domesticação

Com paciência e sessões de treino curtas e positivas, os periquitos-australianos deixam-se, regra geral, domesticar e treinar bem, sobretudo quando se começa com uma ave jovem. Trabalhe em pequenos passos: primeiro, sente-se calmamente junto da gaiola sem tentar agarrar a ave, depois ofereça um dedo ou uma varinha para que suba ("step up"), com um pequeno pedaço de painço ou semente como recompensa. Evite forçar ou perseguir uma ave assustada dentro da gaiola – isso só aumenta a desconfiança. Num periquito-australiano assustadiço, não manso ou em segunda mão, com um passado desconhecido, pode demorar semanas a meses até a ave se atrever a aceitar comida da mão; esse ritmo é normal e não é sinal de que a ave "não quer". Para além da domesticação, os periquitos-australianos podem aprender, com o mesmo método positivo e baseado em comida, pequenos truques simples, como subir a um baloiço ou voar através de um arco – um enriquecimento mental divertido e acessível, mas não uma necessidade.

Cuidados com a plumagem

A maioria dos periquitos-australianos gosta de tomar banho ou de se molhar, quer numa banheirinha pouco funda, quer molhando-se em folhagem húmida ou sob um leve borrifo de água; ofereça esta possibilidade regularmente, sem forçar caso a ave não goste. Durante a muda, que costuma ocorrer uma ou mais vezes por ano, é normal ver mais pó de penas e penugem solta, e a ave pode ficar temporariamente um pouco mais quieta ou menos ativa – isso é normal. Distinga claramente isto do arrancar de penas excessivo: os cuidados normais (mexericar, alisar com o bico) deixam a plumagem intacta, enquanto arrancar de forma estrutural resulta em zonas peladas ou penas danificadas e exige uma investigação mais aprofundada (ver "Estimulação mental e problemas de comportamento"). Com poleiros suficientemente variados e material para roer, as unhas e o bico costumam desgastar-se naturalmente o suficiente; não corte as unhas de forma preventiva e sistemática sem motivo, e, em caso de dúvida, peça a um veterinário com experiência em aves para avaliar ou realizar este procedimento.

Saúde

Os periquitos-australianos que vivem predominantemente de uma dieta unilateral à base de sementes correm um risco acrescido de obesidade, problemas hepáticos e deficiência de vitamina A – este é o risco de saúde mais comum, e em grande parte evitável, nesta espécie (ver também "Alimentação" abaixo). Nos periquitos-australianos ocorrem também, com relativa frequência, tumores gordos benignos (lipomas) e, sobretudo em aves mais velhas, tumores internos mais graves; nem todos os periquitos-australianos desenvolvem isto, mas está suficientemente documentado para se estar atento a inchaços ou a alterações de comportamento. O ácaro da sarna (Knemidocoptes), visível como depósitos crostosos e porosos à volta do bico e das patas, também é relativamente frequente e costuma resolver-se bem com tratamento veterinário. As fêmeas podem sofrer de retenção de ovo, sobretudo em caso de estimulação reprodutiva excessiva ou de défice de cálcio – uma situação de emergência que exige avaliação veterinária imediata. Tal como em quase todos os papagaios, a psitacose é um ponto de atenção zoonótico real, ainda que limitado: o risco é baixo, mas não nulo, numa ave saudável e com higiene normal (limpeza regular da gaiola e dos recipientes, lavagem das mãos após o contacto, boa ventilação). Em caso de queixas persistentes do tipo gripal após contacto intensivo com aves, consulte um médico, e faça avaliar por um veterinário com experiência comprovada em aves qualquer ave com penas eriçadas, fezes alteradas, ruídos respiratórios ou uma redução evidente da atividade – nem toda a clínica geral tem essa especialização.

Alimentação

Uma dieta composta quase exclusivamente por sementes não é, a prazo, suficientemente equilibrada para um periquito-australiano: as sementes são relativamente ricas em gordura e estruturalmente pobres em cálcio e vitamina A, e os periquitos-australianos tendem ainda a escolher seletivamente as sementes mais gordas de uma mistura, fazendo com que um comedouro aparentemente variado permaneça, na prática, unilateral. Isto não significa que as sementes sejam "más" – continuam a ser uma parte valiosa da dieta e um excelente material de forrageio – mas devem ser complementadas com pellets de boa qualidade, que colmatam as carências nutricionais de uma dieta baseada apenas em sementes, e com uma pequena porção diária e fresca de vegetais adequados (por exemplo, brócolos, cenoura, pimento) e, ocasionalmente, fruta. Ao mudar de uma dieta habitual de sementes para pellets, um periquito-australiano adulto pode mostrar-se inicialmente relutante; faça essa transição de forma gradual e paciente, não abrupta, para evitar que a ave coma muito pouco por desconhecer o novo alimento. Substitua a água diariamente e não coloque o bebedouro diretamente por baixo de um poleiro. Refira-se, ainda que uma dieta estritamente à base de sementes seja normalmente a maior preocupação, que vários alimentos são tóxicos para os periquitos-australianos (e para as aves em geral): abacate, chocolate e cacau, álcool, bebidas com cafeína, cebola e alho em grandes quantidades, e o adoçante artificial xilitol. Esta não é uma lista exaustiva – em caso de dúvida sobre um alimento específico, consulte sempre um veterinário ou uma linha de intoxicações.

Vantagens

  • Compacto, económico e amplamente disponível, também acessível para principiantes.
  • Nível de ruído relativamente baixo e suave, em comparação com papagaios de maior porte.
  • Capacidade de imitar a fala real e bem documentada, sobretudo nos machos.
  • Carácter simpático e curioso, que se deixa domesticar e treinar bem com paciência.
  • Sem estatuto CITES nem obrigação legal de anilhamento/licença, o que torna a aquisição administrativamente simples.
  • O comportamento social em casal ou em pequeno grupo é agradável de observar, tanto para as pessoas como para as aves.

Desvantagens e pontos de atenção

  • Ruído de fundo contínuo e suave durante o dia – não há silêncio total em casa.
  • Ave gregária: uma única ave sem contacto diário intensivo corre um risco real de bem-estar.
  • Corpo pequeno e frágil: não é adequado ser pego de forma brusca ou não supervisionada por crianças pequenas.
  • Numa dieta unilateral à base de sementes, risco acrescido de obesidade e de problemas de saúde.
  • Uma esperança de vida de 5 a possivelmente 15 anos exige um compromisso sério e duradouro, mesmo que a ave pareça um animal de estimação "pequeno".
  • O pó de penas e a penugem solta, sobretudo durante a muda, podem ser um ponto de atenção para pessoas com queixas respiratórias.

Aquisição e recolocação

Como o periquito-australiano não está abrangido pela CITES e não tem obrigação de anilhamento ou de licença, a aquisição é administrativamente simples – isso não significa que toda a aquisição seja igualmente responsável. Junto de um criador ou de uma loja de aves especializada, pode perguntar sobre a idade, a origem e se a ave foi criada à mão ou pelos pais; a criação à mão costuma tornar a ave mais habituada às pessoas, mas não é garantia de carácter nem de saúde. Ao escolher uma ave, preste atenção a olhos claros e ativos, a uma plumagem limpa e intacta e a fezes normais. A recolocação através de um centro de acolhimento de aves ou de uma entrega particular é, no caso dos periquitos-australianos, e também devido à sua esperança de vida relativamente curta face à de papagaios maiores, menos comum do que, por exemplo, com araras grandes, mas é sem dúvida uma boa opção: muitos centros de acolhimento têm regularmente periquitos-australianos disponíveis, muitas vezes já em casal, o que resolve de imediato o aspeto social. Dada a necessidade social desta espécie, adquira de preferência dois periquitos-australianos ao mesmo tempo, em vez de procurar um segundo mais tarde – juntar duas aves desconhecidas exige uma introdução gradual e alguma quarentena, ao passo que duas aves que cresceram juntas não têm esse problema.

Perguntas frequentes

Um periquito-australiano pode ser mantido sozinho?
Pode, desde que ofereça diariamente várias horas de contacto ativo e de qualidade, mas isso é desaconselhado para a maioria dos agregados: os periquitos-australianos são aves gregárias e desenvolvem-se visivelmente melhor com pelo menos um congénere.

Um periquito-australiano é adequado para um apartamento?
Sim, desde que conte com um som suave e contínuo de chilreio durante o dia; a maioria dos vizinhos não considera isto um incómodo, mas o periquito-australiano não oferece silêncio total.

É necessária uma licença para ter um periquito-australiano?
Não. Os periquitos-australianos não estão abrangidos pela CITES e não têm obrigação de anilhamento, microchip ou licença na Holanda ou na Bélgica; verifique sempre o estatuto atualizado junto da autoridade nacional competente do seu país (em Portugal, por exemplo, o ICNF).

Todos os periquitos-australianos aprendem a falar?
Não. A capacidade de falar é mais frequente nos machos e nunca está garantida; depende do carácter individual, da paciência no treino e da socialização precoce.

Que idade pode atingir um periquito-australiano?
Em média, 5 a 8 anos; com cuidados muito bons e boa genética, um periquito-australiano pode viver 10 anos e, em casos raros, ultrapassar os 15 anos.

Conclusão

O periquito-australiano merece o seu estatuto de ave de gaiola mais popular do mundo: simpático, colorido, relativamente fácil de cuidar e com uma hipótese real de aprender a falar, ao mesmo tempo que a barreira legal para a sua aquisição é baixa. Essa mesma acessibilidade torna, no entanto, tentador subestimar a necessidade de companhia, o som constante e o compromisso de cuidados a longo prazo. Quem estiver disposto a manter pelo menos dois periquitos-australianos, a aceitar som e movimento diários em casa e a investir, de forma estrutural, tempo em cuidados e enriquecimento nos próximos anos, encontra nesta pequena andarilha australiana um companheiro social genuinamente grato.

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