Tonquês
Tonquês - o gato de olhos turquesa e um apego quase canino. Quem procura um gato que participa ativamente na vida da família, gosta de "falar" e raramente dorme sozinho a um canto, depressa se cruza com o Tonquês. A raça surgiu quando criadores cruzaram deliberadamente o gato Siamês com o gato Burmese, com o objetivo de criar um gato que unisse o calor social do Burmese à loquacidade e à silhueta atlética do Siamês. O resultado é um gato de tamanho médio, musculado, com uma pelagem mink característica e olhos de um raro tom água-marinha, uma caraterística que não existe de forma padrão em nenhuma outra raça.
Esta página não descreve apenas o aspeto do Tonquês, mas sobretudo o que significa o dia a dia com esta raça: quanta atenção precisa, como se relaciona com crianças e outros animais, que aspetos de saúde merecem atenção e para quem esta raça é, ou não, adequada.
Características essenciais
- Origem: América do Norte (Canadá e Estados Unidos), desenvolvida a partir da década de 1960
- Ascendência: cruzamento entre o gato Siamês e o gato Burmese
- Peso: cerca de 2,5 a 5,5 kg, os machos geralmente mais pesados do que as fêmeas
- Comprimento do pelo: curto, rente ao corpo
- Padrão de pelagem: o padrão "mink" característico, existindo também variantes lisas e pointed
- Olhos: água-marinha/turquesa no padrão mink, uma caraterística única da raça
- Esperança de vida: em média 12 a 16 anos com bons cuidados
- Nível de atividade: elevado a moderadamente elevado
- Carácter social: muito afetuoso, procura ativamente companhia
- Experiência desejável: não é necessária experiência prévia específica, mas são precisos tempo e dedicação
- Reconhecimento: reconhecido, entre outras, pela TICA e pela CFA, com pequenas diferenças de estatuto entre federações
O Tonquês combina consigo?
O Tonquês é um companheiro agradável para quem deseja um gato que participa ativamente na vida do lar. A raça é adequada para:
- famílias e pessoas sozinhas que estão frequentemente em casa ou que podem fazer companhia ao gato;
- lares com crianças que sabem tratar um gato com respeito;
- tutores que apreciam um gato falador e interativo, em vez de um gato reservado;
- casas ou apartamentos com bastantes possibilidades de trepar e brincar.
A raça é menos adequada para lares onde o gato ficaria sozinho a maior parte do dia, ou para pessoas que preferem um gato calmo, pouco exigente, que se retrai facilmente.
Nome e reconhecimento
O nome "Tonquês" refere-se à antiga região do Tonquim, no Sudeste Asiático, e é, tal como os nomes Siamês e Sagrado da Birmânia, sobretudo um nome de ambiente: a raça não surgiu nessa região, mas sim na América do Norte. Esta designação reflete a origem asiática das duas raças progenitoras a partir das quais o Tonquês foi criado.
A raça é reconhecida por grandes federações felinas, como a TICA (The International Cat Association) e a CFA (Cat Fanciers' Association). O estatuto exato - totalmente reconhecido, reconhecido provisoriamente, ou integrado num grupo de raças mais amplo - pode variar consoante a federação e o país, pelo que quem pretenda criar ou apresentar um Tonquês em exposições deve verificar as regras atuais da federação escolhida.
História
A base da raça assenta no cruzamento deliberado entre gatos Siameses e gatos Burmese, com o objetivo de criar um gato que unisse o temperamento vivo e comunicativo do Siamês à constituição mais robusta e ao temperamento mais dócil do Burmese. Os primeiros programas de criação dirigidos a este objetivo surgiram no Canadá e nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970.
Como o Siamês e o Burmese já eram ambos raças bem estabelecidas, o Tonquês conseguiu desenvolver relativamente depressa um tipo reconhecível e estável. Ao longo das décadas seguintes, a popularidade da raça cresceu, sendo progressivamente reconhecida por diferentes federações felinas internacionais.
Aspeto
O Tonquês apresenta uma constituição intermédia entre a do Siamês e a do Burmese: menos esguio e anguloso do que o Siamês, mas também menos compacto do que o Burmese. O corpo é solidamente musculado, de comprimento médio, com dorso reto e cauda de comprimento médio.
A pelagem é curta, fina e rente ao corpo. O padrão de pelagem mais característico é o chamado padrão mink: um gradiente de cor menos contrastante do que o padrão pointed do Siamês, mas com mais nuances do que uma cor lisa do Burmese. O mink existe, entre outras, nas cores natural (castanho), champagne, blue e platinum. Como o Tonquês transporta material genético de ambas as raças progenitoras, podem também surgir, em menor grau, variantes lisas e pointed.
Os olhos constituem a caraterística mais marcante: nos exemplares de padrão mink, apresentam um tom único que vai do água-marinha ao turquesa, uma cor que praticamente nenhuma outra raça apresenta de forma padrão. As orelhas são de tamanho médio e largas na base.
Temperamento
Os Tonquês são conhecidos como gatos sociáveis, curiosos e brincalhões, que procuram ativamente o contacto com os membros do lar. São muitas vezes comparados a um cão devido à sua tendência para seguir o tutor pela casa, envolver-se nas atividades do dia a dia e adaptar-se facilmente à rotina do lar.
A raça é geralmente menos ruidosa do que o Siamês, mas continua a ser claramente comunicativa: muitos Tonquês "falam" ativamente com miados curtos quando querem atenção ou se entusiasmam com algo. São inteligentes, aprendem depressa e são muitas vezes fáceis de motivar com brincadeira e recompensa.
Relação com crianças e outros animais
Graças à sua natureza sociável e brincalhona, os Tonquês conseguem conviver bem com crianças que saibam comportar-se com calma e respeito perante um gato. Procuram eles próprios, muitas vezes, brincadeira e contacto físico, o que os torna adequados para famílias com crianças um pouco mais crescidas.
Com outros gatos e cães tolerantes com gatos, os Tonquês costumam dar-se bem, desde que a apresentação seja feita com calma e de forma gradual. A sua natureza afetuosa e ávida de companhia faz com que, muitas vezes, beneficiem da presença de outro gato em casa, sobretudo se o tutor estiver ausente durante o dia.
Instintos
Enquanto gato ativo e curioso, o Tonquês mantém instintos de caça marcados: gosta de perseguir brinquedos, trepar a locais altos e brincar às escondidas. Arranhar é um comportamento natural de que o gato precisa, tanto para cuidar das unhas como para marcar território e alongar-se.
Um arranhador suficientemente alto dá ao Tonquês uma saída própria para este instinto e evita que móveis ou cortinados sirvam de alternativa.
Ambiente de vida
O Tonquês adapta-se bem a um apartamento, desde que existam espaço vertical, possibilidades de brincadeira e interação suficientes. A raça não precisa de acesso direto ao exterior para se sentir bem, embora alguns exemplares apreciem uma varanda segura e fechada, ou um "catio", para captar estímulos exteriores.
Mais importante do que o número de metros quadrados é a presença de possibilidades de trepar, locais de observação e interação regular com os membros do lar. Um Tonquês que passe o dia inteiro sozinho num espaço pouco estimulante aborrece-se mais depressa do que um gato que viva num ambiente rico em estímulos.
Estimulação mental
Esta raça tem uma necessidade marcada de estimulação mental. Brinquedos interativos, árvores para gatos, tempo de brincadeira com o tutor e variedade no ambiente mantêm o Tonquês satisfeito e previnem comportamentos problemáticos ligados ao tédio, como miar em excesso ou comportamentos destrutivos.
Uma bola distribuidora de ração, na qual o gato tem de "caçar" a comida para a fazer sair, associa a alimentação a atividade mental e física, e adapta-se bem ao carácter brincalhão e inteligente desta raça.
Educação
Os Tonquês são frequentemente descritos como fáceis de educar em comparação com muitas outras raças de gatos. Reagem geralmente bem a uma aprendizagem baseada em recompensas, conseguem aprender ordens simples e truques, e alguns exemplares habituam-se mesmo a um arnês para passeios acompanhados no exterior.
Comece a educação com sessões curtas e positivas, use as recompensas alimentares com moderação e avance com calma. A consistência e a paciência funcionam melhor do que sessões de treino longas.
Sozinho em casa
Devido ao forte apego às pessoas, o Tonquês pode ter dificuldade em ficar muito tempo sozinho. Um único dia de trabalho não costuma ser problema para a maioria dos exemplares adultos, desde que haja estímulos suficientes, mas uma ausência longa e regular pode levar a inquietação, miados excessivos ou comportamentos de procura de atenção.
Para lares que estejam frequentemente e por longos períodos ausentes, ter um segundo gato como companhia é muitas vezes uma opção sensata com esta raça.
Cuidados com a pelagem
A pelagem curta e fina do Tonquês exige pouca manutenção. Uma escovagem semanal costuma bastar para remover pelos soltos e manter a pelagem brilhante; nos períodos de muda, isso pode ser feito com um pouco mais de frequência.
É também habitual verificar regularmente as orelhas e as unhas e, se necessário, vigiar os dentes e a boca, tal como em qualquer raça de gato de pelo curto.
Saúde
O Tonquês é geralmente considerado uma raça robusta, entre outros motivos graças à diversidade genética resultante do cruzamento de duas raças bem estabelecidas. Não foi identificada nenhuma doença generalizada e exclusiva do Tonquês, mas, tal como nas raças progenitoras, merecem atenção alguns aspetos gerais:
- cuidados dentários, uma vez que a placa bacteriana e a gengivite são relativamente frequentes em raças de pelo curto;
- controlo do peso, já que um gato brincalhão e motivado pela comida pode ser propenso a excesso de peso perante alimentação excessiva ou pouco exercício;
- acompanhamento veterinário geral da função cardíaca e renal, o que é sensato em qualquer raça de gato à medida que envelhece.
Ao adquirir um Tonquês, escolha sempre um criador que leve a sério os exames de saúde dos progenitores e seja transparente quanto a eventuais aspetos conhecidos na linhagem.
Alimentação
Enquanto gato, o Tonquês continua a ser, como qualquer outra raça, um carnívoro estrito: a alimentação deve ser composta sobretudo por proteína animal, com taurina suficiente e uma ingestão hídrica adequada, por exemplo através de ração húmida a par ou em vez da ração seca.
A quantidade exata de gramas por dia depende da idade, do peso, da condição corporal, do nível de atividade e da densidade energética da ração escolhida; consulte por isso as recomendações da embalagem ou peça conselho ao veterinário. Como os Tonquês são brincalhões e motivados pela comida, o controlo das porções é mais importante do que em raças menos ativas: reparta a dose diária por várias refeições mais pequenas ou use um brinquedo dispensador de ração para evitar o excesso alimentar.
Aquisição e adoção
Ao adquirir uma cria de Tonquês, é aconselhável escolher um criador filiado numa federação felina reconhecida, que mostre os progenitores, disponibilize informação sobre os exames de saúde e não deixe as crias partir demasiado cedo (geralmente não antes das doze a treze semanas).
Por ser uma raça relativamente específica e procurada, os Tonquês adultos acabam mais raramente em abrigos do que os gatos domésticos comuns, mas associações especializadas em resgate e adoção podem, por vezes, oferecer um exemplar adulto. Adotar um gato adulto pode ser uma boa opção para quem prefere evitar a fase de cria.
Perguntas frequentes
O Tonquês é ruidoso, como o Siamês?
O Tonquês é geralmente menos ruidoso do que o Siamês, mas continua a ser claramente falador e comunicativo.
O Tonquês tem sempre olhos turquesa?
A cor de olhos água-marinha/turquesa característica está associada ao padrão de pelagem mink. Exemplares com padrão liso ou pointed podem ter outra cor de olhos.
Um Tonquês pode viver sozinho, sem outro gato?
Sim, desde que o tutor ofereça tempo, atenção e estimulação suficientes. Em caso de ausência regular e prolongada, um segundo gato é geralmente mais agradável para o animal.
O Tonquês é adequado para um apartamento?
Sim, desde que existam possibilidades de trepar, espaço para brincar e interação suficientes.
O Tonquês perde muito pelo?
A pelagem curta perde relativamente pouco pelo e é fácil de manter com uma escovagem semanal.
Conclusão
O Tonquês é um gato para quem procura um companheiro ativo, falador e fortemente ligado às pessoas. A raça une a vivacidade do Siamês ao temperamento um pouco mais calmo e afetuoso do Burmese, e acrescenta-lhe uma caraterística de aspeto única: os raros olhos cor de água-marinha associados ao padrão mink.
Quem conseguir oferecer tempo suficiente, estimulação mental e companhia, encontrará no Tonquês um gato inteligente, brincalhão e dedicado. Para lares que procuram sobretudo um gato calmo e independente, que se retrai facilmente, outra raça será provavelmente uma escolha melhor.