Epilepsia - doença neurológica com crises recorrentes
Epilepsia - doença neurológica com crises recorrentes
Importante antes de mais: a Fidello não é veterinária. Esta página destina-se a informá-lo e não permite estabelecer um diagnóstico. Tem dúvidas sobre a saúde do seu cão, ou reconhece os sinais descritos abaixo? Contacte então sempre um veterinário. Se uma crise no seu cão durar mais do que alguns minutos, se ocorrerem várias crises seguidas sem que o seu cão recupere devidamente entre elas, ou se o seu cão tiver uma crise pela primeira vez, dirija-se então imediatamente a um veterinário ou a uma clínica veterinária, pode tratar-se de uma emergência.
A epilepsia é uma das doenças neurológicas mais comuns nos cães e significa que um cão sofre crises repetidamente, causadas por perturbações súbitas e breves da atividade elétrica do cérebro. Para os donos, uma primeira crise é muitas vezes uma experiência assustadora, embora a maioria dos cães com epilepsia, com o acompanhamento veterinário adequado, ainda possa ter uma boa vida durante muitos anos.
O que é a epilepsia?
Na epilepsia, uma crise surge porque as células cerebrais disparam momentaneamente sinais elétricos de forma descontrolada e simultânea. Os veterinários distinguem entre epilepsia idiopática, na qual não é encontrada nenhuma anomalia cerebral subjacente e se suspeita de uma predisposição hereditária, e epilepsia estrutural ou sintomática, na qual as crises resultam de uma causa identificável, como uma lesão cerebral, inflamação, tumor ou problema metabólico. A epilepsia idiopática é o diagnóstico mais frequente em cães cujas primeiras crises surgem entre, aproximadamente, os seis meses e os seis anos de idade.
Que cães correm mais risco?
A epilepsia idiopática é relatada com mais frequência numa série de raças, incluindo o Border Collie, o Pastor Australiano, o Pastor Belga (Tervueren) e o Labrador Retriever, o que aponta para um componente hereditário. Existem também diferenças entre raças quanto à gravidade da evolução da doença: nalgumas raças a doença costuma ter uma evolução ligeira e ser fácil de controlar, enquanto noutras, como o Border Collie e o Pastor Australiano, se observa mais frequentemente uma forma mais persistente. A epilepsia pode ocorrer praticamente em qualquer raça, incluindo em cães sem predisposição racial evidente, por exemplo quando outra causa, como uma lesão cerebral ou um problema metabólico, está na origem das crises. Uma predisposição hereditária não significa que todos os cães de uma raça suscetível venham efetivamente a desenvolver crises.
Sintomas
Uma crise decorre muitas vezes em fases. Antes da crise, um cão pode comportar-se de forma diferente: agitado, procurando contacto, ansioso ou estranhamente imóvel, por vezes horas antes de a crise propriamente dita começar. Durante a crise em si, o cão pode cair, ficar rígido, pedalar com as patas, salivar, fazer movimentos de mastigação e, por vezes, urinar ou defecar involuntariamente; isto dura habitualmente entre alguns segundos e alguns minutos. Depois, segue-se muitas vezes uma fase de recuperação, durante a qual o cão pode parecer confuso, instável nas patas, temporariamente com pior visão ou muito cansado; esta fase pode durar de minutos a várias horas. Os sinais que exigem atenção urgente são: uma crise que dura mais do que alguns minutos, várias crises seguidas sem que o cão recupere devidamente entre elas, ou um cão que não recupera bem a consciência após a crise.
Quando consultar um veterinário?
Contacte sempre um veterinário quando o seu cão tiver uma crise pela primeira vez, mesmo que pareça recuperar rapidamente. Contacte também um veterinário em caso de crises recorrentes, de alteração no padrão de frequência ou duração, ou se tiver dúvidas sobre se o que observou foi realmente uma crise epilética. Perante uma crise que dure mais do que alguns minutos, várias crises seguidas em rápida sucessão, ou um cão que não recupera devidamente entre crises, é necessária uma visita urgente ao veterinário ou a uma clínica veterinária.
Como é feito o diagnóstico?
Um veterinário diagnostica normalmente a epilepsia idiopática com base na idade em que as crises começaram, no padrão das crises, num exame neurológico normal entre crises, e excluindo outras causas através de análises ao sangue. Em caso de dúvida, de uma idade de início pouco habitual, ou de um exame neurológico alterado, podem ser necessários exames adicionais, como imagiologia cerebral (RM ou TAC) e análise do líquido cefalorraquidiano, para procurar uma causa subjacente. Esta página não pode dizer-lhe se o seu cão tem epilepsia; isso só pode ser determinado por um veterinário após um exame.
Tratamento em linhas gerais
Nem todos os cães que tiveram uma única crise precisam de medicação imediatamente; o veterinário avalia a frequência e a gravidade das crises antes de iniciar o tratamento. Quando o tratamento é aconselhável, opta-se geralmente por um medicamento antiepilético de administração diária, destinado a reduzir a frequência das crises; qual o medicamento e em que dose é determinado pelo veterinário e controlado regularmente com análises ao sangue. Em cães com uma crise prolongada ou uma série de crises em rápida sucessão, pode ser necessário tratamento de emergência por um veterinário para interromper a crise. Na maioria dos cães, a epilepsia não tem cura, mas numa parte deles pode ser bem controlada; o objetivo do tratamento é ter crises menos frequentes e menos graves, não necessariamente o seu desaparecimento total.
O que pode fazer por si próprio
Mantenha a calma durante uma crise, certifique-se de que o seu cão não pode cair de uma altura nem embater em arestas afiadas, e não toque no focinho ou na língua do animal. Se possível, anote a duração da crise e exatamente o que observa; isto ajuda o veterinário a acompanhar a evolução. Um diário de crises, no qual regista a data, a duração e um eventual fator desencadeante, fornece ao veterinário informações úteis para o tratamento. Administre sempre a medicação prescrita a horas fixas e em consulta com o veterinário; a suspensão brusca ou a omissão de doses pode aumentar o risco de crises.
Prevenção e reprodução responsável
Uma vez que a epilepsia idiopática tem um componente hereditário numa parte das raças suscetíveis, é uma escolha responsável dos criadores serem cautelosos quanto a utilizar, na reprodução, animais reprodutores com epilepsia ou com esse historial, ou cuja descendência a apresente. Em cães sem predisposição hereditária, a prevenção só é possível de forma limitada, uma vez que causas estruturais, como lesões ou inflamações, nem sempre podem ser evitadas.
Viver com epilepsia
Muitos cães com epilepsia bem controlada podem ter uma vida normal e ativa. Uma rotina diária estável, descanso suficiente e evitar fatores desencadeantes conhecidos, como stress súbito ou, nalguns cães, calor extremo, podem ajudar a reduzir as crises. Consultas regulares ao veterinário, incluindo análises ao sangue em cães medicados, ajudam a manter o tratamento bem ajustado ao seu cão.
Perguntas frequentes
A epilepsia nos cães é hereditária?
Numa série de raças, uma predisposição hereditária desempenha um papel, mas a epilepsia também pode surgir devido a uma causa identificável sem componente hereditário.
O meu cão pode ter uma vida normal com epilepsia?
Sim, muitos cães com epilepsia podem, com o acompanhamento veterinário adequado, ter uma boa qualidade de vida durante anos.
Uma única crise significa sempre epilepsia?
Não, só se considera epilepsia perante crises repetidas; uma crise única pode também ter outra causa e deve ser sempre avaliada por um veterinário.
O meu cão vai precisar de medicação para o resto da vida?
Isso depende da frequência e da gravidade das crises e é determinado pelo veterinário; nem todos os cães com epilepsia precisam de medicação de imediato.
Conclusão
A epilepsia é uma doença neurológica comum nos cães, que tem uma origem hereditária nalgumas raças e uma causa identificável noutros cães. Ir ao veterinário atempadamente após uma primeira crise, observar e registar cuidadosamente as crises, e tratar como emergência uma crise que não pare por si só, fazem a diferença entre um cão que corre um risco desnecessário e um cão que, com o acompanhamento adequado, mantém uma boa qualidade de vida.
Por fim
Por fim: este artigo não substitui uma consulta veterinária. A Fidello não estabelece diagnósticos nem prescreve tratamentos. Em caso de dúvida, de sintomas persistentes ou de sinais agudos, um veterinário é sempre o próximo passo correto.