Atrofia Progressiva da Retina (APR) - doença ocular hereditária nos cães

Atrofia Progressiva da Retina (APR) - doença ocular hereditária nos cães

Importante, antes de mais: a Fidello não é veterinária. Esta página destina-se a informar e não o ajuda a chegar a um diagnóstico. Tem dúvidas sobre a saúde do seu cão ou reconhece os sinais descritos abaixo? Contacte sempre um veterinário.

A Atrofia Progressiva da Retina, normalmente abreviada para APR, é uma doença hereditária em que as células fotossensíveis da retina do cão morrem gradualmente. A visão vai assim piorando passo a passo, algo que os donos muitas vezes só notam quando o cão começa a ter dificuldade em ver no escuro ou passa a esbarrar em objetos.

O que é a atrofia progressiva da retina?

A retina contém células fotossensíveis (bastonetes e cones) que convertem a luz em sinais para o cérebro. Na APR, estas células morrem lentamente devido a uma alteração genética hereditária. Os bastonetes, necessários para ver com pouca luz, são geralmente os primeiros a ser afetados, seguidos dos cones, responsáveis pela visão à luz do dia. O processo é gradual, normalmente ao longo de meses a vários anos, e não pode ser travado nem revertido.

Que cães estão em risco?

A APR é hereditária, e tanto o padrão de transmissão como a idade em que surgem os sinais variam consoante a raça e a variante genética. A doença foi confirmada através de estudos de hereditariedade num grande número de raças, incluindo o Labrador Retriever, o Caniche (em vários tamanhos), o Cocker Spaniel, o Springer Spaniel Inglês, o Border Collie, o Setter Irlandês, o Terrier do Tibete e o Samoiedo, embora a APR também ocorra noutras raças e em cães sem raça definida. Nalgumas raças os sinais surgem ainda em idade jovem, noutras só em idade média ou avançada. Ser portador da predisposição hereditária não significa automaticamente que todos os portadores desenvolvam sintomas; isso depende do padrão de transmissão da variante em causa.

Sintomas

Um sinal precóce é frequentemente a cegueira noturna: o seu cão hesita num jardim pouco iluminado, deixa de querer sair de bom grado à noite, ou esbarra no escuro em objetos que conhece bem, sem que isso aconteça durante o dia. À medida que a doença progride, a visão diurna também piora, as pupilas podem permanecer mais dilatadas do que o normal e pode tornar-se visível um brilho invulgar nos olhos. Na maioria das formas de APR, este processo acaba por conduzir, com o tempo, a cegueira total. Atenção: se, pelo contrário, a visão do seu cão piorar subitamente, em poucos dias, isso aponta mais para outra causa, mais aguda, do que para a APR - nesse caso, contacte um veterinário o mais rapidamente possível.

Quando ir ao veterinário?

Contacte um veterinário assim que suspeitar que o seu cão vê pior, sobretudo se tiver dúvidas sobre a sua visão no escuro, notar alterações no aspeto dos olhos, ou se o seu cão se mover de forma mais hesitante num ambiente que normalmente conhece bem. Mesmo depois de a APR já ter sido diagnosticada, os controlos periódicos são úteis para detetar a tempo problemas oculares secundários, como cataratas. Em caso de perda de visão súbita e rápida, é aconselhável marcar uma consulta a curto prazo, pois isso pode indicar outra doença que exige atenção mais rápida.

Como se diagnostica?

Um veterinário ou um oftalmologista veterinário examina a retina com um oftalmoscópio (fundoscopia) e pode complementar com um eletrorretinograma (ERG) para medir a atividade elétrica da retina. Em raças cuja mutação genética subjacente é conhecida, um teste de ADN feito num laboratório reconhecido pode dar uma resposta ainda antes de o cão apresentar sinais visíveis. Esta página não permite determinar se o seu cão tem APR; isso exige exame por um veterinário ou oftalmologista veterinário.

Tratamento em linhas gerais

Atualmente não existe nenhum tratamento que cure a APR ou reverta o processo. O acompanhamento prestado por um veterinário ou oftalmologista veterinário centra-se sobretudo em seguir a evolução e tratar atempadamente complicações secundárias, como cataratas que podem surgir na sequência da APR. O plano de tratamento e os passos seguintes são sempre determinados pelo veterinário e variam de cão para cão.

O que pode fazer por si próprio

Os cães que perdem gradualmente a visão apoiam-se fortemente no olfato, na audição e numa rotina estável. Pode ajudar mantendo os móveis e obstáculos, tanto quanto possível, sempre no mesmo lugar, protegendo cantos afiados e aberturas de escadas, e falando calmamente com o seu cão antes de lhe tocar, para que não se assuste. Um peitoral em vez de uma coleira pode dar apoio e orientação extra durante os passeios. Estas adaptações não substituem o tratamento veterinário, mas contribuem para o bem-estar diário e a confiança do seu cão.

Prevenção e criação responsável

Nas raças em que existe teste de ADN, os criadores responsáveis testam os reprodutores quanto às variantes conhecidas da APR antes de os utilizarem, e combinam os animais de forma a limitar o risco de descendência afetada. Como comprador de um cachorro de uma raça de risco, peça esses resultados de teste ou um rastreio oftalmológico oficial dos progenitores.

Viver com atrofia progressiva da retina

Muitos cães com APR adaptam-se, também graças ao seu forte olfato e audição, surpreendentemente bem a uma perda gradual de visão, sobretudo num ambiente familiar e estável. Com algumas adaptações práticas em casa e na rua, podem muitas vezes continuar a ter uma vida ativa e confortável durante anos.

Perguntas frequentes

A atrofia progressiva da retina é dolorosa para o meu cão?
A APR em si geralmente não causa dor; trata-se de uma perda gradual de visão, não de um processo doloroso.

O meu cão fica sempre completamente cego por causa disto?
Na maioria das formas de APR, a visão acaba por diminuir fortemente até à cegueira total, mas o ritmo a que isso acontece varia consoante o cão e a variante genética.

Posso testar antecipadamente se o meu cão é portador?
Para várias raças existe um teste de ADN que pode indicar se um cão é portador ou vai desenvolver a doença; fale sobre isto com o seu veterinário.

Posso prevenir a APR através da alimentação ou de suplementos?
Não, a APR é uma doença hereditária; a alimentação ou os suplementos não podem impedir o seu aparecimento.

Conclusão

A atrofia progressiva da retina é uma doença ocular hereditária, de evolução gradual, que nos cães acaba muitas vezes por causar cegueira. Não existe tratamento curativo, mas com deteção precóce, adaptações práticas em casa e uma criação responsável nas raças de risco, os cães com APR podem muitas vezes continuar a ter uma vida boa e confortável durante muito tempo.

Para concluir

Para concluir: este artigo não substitui uma consulta veterinária. A Fidello não faz diagnósticos nem prescreve tratamentos. Em caso de dúvida, de sintomas persistentes ou de sinais agudos, um veterinário é sempre o passo seguinte correto.

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